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Jovem denuncia estupro coletivo em Joinville

Uma jovem de 22 anos de Joinville está denunciando um estupro coletivo que teria ocorrido em 19 de outubro de 2019.
O processo tramita na Primeira Vara Criminal de Joinville e envolve três homens, entre eles, um juiz federal de Jaraguá do Sul e um dermatologista famoso de Joinville.
O inquérito foi concluído pela Delegacia de Proteção a Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Depcami) de Joinville e encaminhado à Justiça.

Segundo relato da vítima, no dia 19 de outubro de 2019 ela foi a uma boate em Joinville e foi apresentada a um médico bem conhecido na cidade.
No dia seguinte, sem recordação do que havia acontecido, acordou sem roupas em uma cama com dois homens desconhecidos.

No decorrer da investigação, surgiu a informação que um dos três homens que estiveram no apartamento onde a vítima foi violentada seria um juiz do Trabalho do TRT da 12ª Região.
Aliás, por esta razão –  diante da suposta participação de um agente com foro privilegiado – o juízo da Primeira Vara Criminal de Joinville remeteu o processo para ser julgado no Tribunal Regional da 4ª Região alegando “conflito de competência”.

No entanto, por decisão do Superior Tribunal de Justiça, o caso voltou para Primeira Vara Criminal de Joinville.

O desabafo nas redes sociais

A jovem que denunciou o estupro coletivo usou as redes sociais para relatar todo o drama que viveu nesses últimos dois anos.

Ela conta, na rede social, que saiu com amigos para uma festa e uma conhecida a apresentou seu ex-chefe, “um médico bem conhecido de Joinville que tem uma clínica extremamente sofisticada e com clientes com poderes aquisitivos altíssimos na cidade”.

Depois isso, só lembra de flashes. Ela relata que guardou segredo por quase dois anos,  teve de tomar remédios, fazer terapia, parar de trabalhar, quase reprovou na faculdade…

“Me submeti a uma relação abusiva por medo de não ter ninguém do meu lado e ninguém mais querer nada comigo. Tudo isso por conta de pessoas que acham que ter poder e dinheiro as tornam imunes de qualquer coisa. Tudo isso por conta de pessoas que podem e tem condições de terem o que quiserem, mas preferem fazer o proibido, o que está fora do alcance delas. Tipo drogar uma menina de 20 anos para fazer o que quiserem com ela”, relata a jovem. 

Na manhã seguinte ao abuso sofrido, continua, ela conta que vestiu suas roupas, desceu do apartamento, que seria do médico que ela conheceu na boate, pegou um Uber e foi para casa.

“Os flashes começaram a vir na minha cabeça, eu lembrava de estar na cama sem conseguir me mexer direito, um homem muito velho na minha frente e outro entrando pela porta entreaberta e tentando tocar nos meus seios, e eu chorava e pedia para parar…”, segue o relato. 

A jovem conta que foi ao hospital, relatou o que tinha acontecido, que havia sofrido um abuso. Lá, fez um exame PCR  e recebeu guias de exames de doenças sexualmente transmissíveis. Ela foi até a farmácia e comprou uma pílula do dia seguinte.
Ela relata, ainda, que procurou um advogado criminal, que a orientou registrar boletim de ocorrência. Ela foi à delegacia, mas perdeu a coragem.

“Ora, como uma menina como eu ia denunciar um médico extremamente conhecido, com um poder aquisitivo muito mais alto que o meu? Que chance que eu tinha contra esse cara? Qual a chance que eu tinha de a sociedade inteira me julgar, dizer que eu que mereci porque provavelmente estava bêbada?”, questionou-se.

No entanto, no fim da tarde criou coragem, foi à delegacia e registrou um Boletim de Ocorrência. À época, quem abriu o inquérito na Depcami foi o delegado Vinícius Ferreira. Depois, com a saída de Vinícius, foi dada sequência ao procedimento com o delegado Pedro Alves, titular do inquérito.

“A partir desse momento comecei a entender todas as mulheres que sofrem com violência doméstica ou sexual e não conseguem denunciar. É muito difícil. A gente sente que não vai conseguir, a gente se sente culpada, a gente sente que o mundo todo vai julgar a gente”, frisou em seus relatos no Instagram. 

Ao final do desabafo nas redes sociais, a jovem fez questão de dizer que não está nessa luta pedindo justiça para si, mas sim por todas as mulheres que passaram ou podem passar por violência.

“O que eu tive que sofrer, o que eu tive que enfrentar justiça nenhuma vai trazer de volta. E acreditem, situações como essa trazem marcas na nossa vida que jamais vão embora. A gente convive, a gente aceita, a gente supera. Mas jamais vão embora. Jamais somem.”

A vítima conta, ainda, que alguns meses após o início das investigações teve acesso ao inquérito policial e descobriu que, além do médico, um juiz estava envolvido, além de um terceiro homem. 
Nesta segunda-feira (21), diante de tantas manifestações que recebeu após a publicação do relato em suas redes sociais, a jovem voltou se manifestar. Agradeceu pelo carinho e preocupação dos seguidores.
“Eu não imaginava que receberia tudo isso. A cada pessoa que me segue eu me sinto mais forte”, escreveu no stories.


ND+




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